CANTEMOS A GLÓRIA DE DEUS, MAS SOMENTE EM JESUS.

  • 30/07/2019
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CANTEMOS A GLÓRIA DE DEUS, MAS SOMENTE EM JESUS.

Em um dos nossos cultos pela manhã cantamos duas músicas que me chamaram muito a atenção:

Quão formoso
Quão Formoso És, Rei do universo
Tua Glória enche a terra e os céus
Tua Glória enche a terra,
Tua glória enche os céus
Tua glória enche minha vida Senhor

Maravilhoso é estar em Tua presença
Maravilhoso é poder Te adorar
Maravilhoso é tocar nas Tuas vestes
Maravilhoso é Te contemplar Senhor.

Há Momentos
Há momentos que, na vida, pensamos em olhar atrás,
É preciso pedir ajuda para poder continuar.
E clamamos o nome de Jesus (2x)
E clamamos o nome, o nome de Jesus,
Ele nos ajuda a carregar a cruz.
Enquanto catávamos a primeira música, eu meditava no que significa cantar sobre a Glória de Deus. Que valor tem uma pessoa chegar diante de Deus e dizer: Tua glória enche a terra, o céu e a minha vida? Que experiência espiritual existe em ter a glória de Deus enchendo a nossa vida? Então a resposta veio quando começamos a cantar a segunda música que aponta para o Senhor Jesus como o Deus que nos auxilia, que ouve o nosso clamor e nos ajuda a carregara cruz. Aí está a resposta: Enquanto no Antigo Testamento o povo de Deus via a glória de Deus, simbolizada na maioria das vezes pela fumaça que enchia o Tabernáculo e o Templo, agora esta glória é o próprio Cristo. Assim podemos entender as palavras do Evangelho de João que diz: Pois vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1.14b). A glória de Deus, tão grandiosa na Antiga Aliança, agora está personificada na pessoa do seu Filho. Conforme o autor aos Hebreus, Jesus é o resplendor da sua glória, a expressão exata do seu ser (Hb. 1.3). Um texto que muito pode nos auxiliar nesta compreensão é o de Êxodo 33.117-23. Ali Deus, em resposta à oração de Moisés que queria ver a sua glória, responde:
“‘Farei passar a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (v. 19).
Moisés quer ver a glória; Deus responde que ele verá a sua bondade. A glória de Deus na Velha Aliança é a bondade de Deus, a sua misericórdia e sua compaixão, estampadas no rosto do Senhor Jesus.
E quais são as aplicações práticas desta revelação:
1- Não tem sentido qualquer música ou louvor a Deus, apontando para a sua glória, sem que seja apresentado o Senhor para Jesus como a revelação desta glória. Um judeu pode cantar a glória de Deus apontando para o Antigo Testamento. Um salvo não anula o Antigo Testamento, mas aponta para o Evangelho e diz: Esta glória é Jesus. O Deus glorioso do Antigo Testamento se fez gente, andou entre nós, foi cheio de graça e bondade e o seu nome é Jesus. Sem esta correlação e entendimento podemos passar a noite inteira cantando a glória de Deus que não seríamos tomados como verdadeiros adoradores. Os verdadeiros adoram ao Pai na pessoa do Filho e com o auxílio do Espírito Santo, cujo maior ministério é glorificar a segunda pessoa da Trindade (João 16.14).

2- Podemos cantar o poder de Deus, revelado nas páginas do Antigo Testamento, mas não podemos deixar de cantar a sua bondade revelada no Novo, na pessoa de Jesus. Não cantamos somente o seu poder, cantamos o seu amor. Dizer para Deus em adoração que Ele é grande, poderoso, glorioso, majestoso, aponta apenas para o que Ele é. Mas quando louvamos pela sua bondade, pelo seu amor apaixonado ao enviar o Seu único Filho, pelo sacrifício de Cristo na cruz, atingimos o âmago de toda a Bíblia e apontamos para o que Ele fez de mais grandioso. O centro de todo o universo é Jesus e a sua morte vicária e esta deve ser a nossa mais sublime canção. Não há pecado algum em dizer que a glória de Deus enche a terra, o céu e a nossa vida; mas isto não pode se comparar à declaração de que esta glória nos ajuda a levar a nossa cruz pessoal, e ainda mais, que esta glória está ilustrada na vida e obra de Jesus, cujo nome nós clamamos. Podemos cantar o seu poder, mas é mais digno de pecadores resgatados que somos, cantar o seu amor, a sua bondade e a sua misericórdia que nos resgatou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe. 2.9).

3- A música que prevalecerá na eternidade aponta não somente para o poder e glória de Deus, mas também, e especialmente, para o seu amor.

Em Apocalipse nos é permitido ver um pouco do Céu, e neste pequeno vislumbre vemos o seguinte:
Tu és digno, senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (4.11).
Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (5.9).

Aqui temos a junção do Velho e do Novo Testamento. O primeiro texto aponta para a adoração pelo que Deus fez na criação; o segundo para a obra redentora do Filho. A primeira é incompleta sema segunda. A glória de Deus revelada na criação se apresentou aos homens em figura humana na pessoa do seu Filho e isto deve ser cantado para sempre no Céu. Não haverá um só momento em que o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, não deva ser adorado. Se no Céu será assim então devemos cumprir o que Jesus nos ensinou: Seja feita a Tua vontade tanto na terra como no Céu (Mt 6.10).

Cantando aquelas duas músicas hoje de manhã, me senti tão feliz. O Rei do universo, cuja glória enche a terra e o Céu, também enche a minha vida. E a enche de forma tão viva, na pessoa de seu Filho em mim. O Rei do universo, que segundo Salomão não pode ser contido nem em todo o Céu (2 Cr 6.18), pode se sentir confortável no coração de um pobre pecador. Só me resta adorar. Cantar a primeira música sem a segunda seria me comportar como um judeu. Cantando as duas me identifico como um cristão, e cristão é o que eu sou. Cantemos sempre o seu poder, a sua glória e majestade, mas que o Espírito Santo abra os nossos olhos e corações para compreender, e cantar também, que esta glória veio até nós, quando não tínhamos esperança, nos alcançou em nossa morte espiritual, nos deu vida juntamente com seu Filho e nos fez assentar em lugares celestiais.

Pr. Luiz Araujo

Presidente da Igreja Cristã Evangélica do Brasil (ICEB) desde janeiro de 2019

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